A Cerâmica Gresca é mais 
uma empresa do

Rua Margarida Ferrari Scapinelli, 220
Bairro Engordadouro - Jundiaí – SP / CEP: 13.214-669
(11) 4582.1100 / 4585-1700 - contato@gresca.com.br

Cadastre seu e-mail e receba nossas notícias:

Por que as Paredes Estouram?

Embora presente com mais intensidade há aproximadamente 20 anos, essa manifestação patológica ainda ocorre de forma esporádica em algumas edificações. O diagnóstico desse tipo de patologia é muito difícil para determinação de sua causa, pois envolve uma série de fatores, desde o projeto, a execução e os materiais envolvidos.

No Brasil ainda não há cultura de investimento em projeto. A ampla maioria das empresas contrata apenas o projeto de concepção estrutural, e quando é contratado um projeto para produção das vedações, o objetivo se relaciona basicamente à modulação do bloco. Muitas empresas inclusive deixam para decidir qual tipo de bloco vão utilizar no momento do início da alvenaria, levando em conta apenas o preço unitário. Os materiais são negligenciados da mesma forma, no passado era abundante o uso de tijolo cerâmico com furos na horizontal. Somente com o advento da evolução da tecnologia dos blocos cerâmicos, com o uso de componentes de maior resistência e com furos na vertical, diminuiu-se sensivelmente essa manifestação patológica.

Outro material diretamente relacionado é o concreto. Não é comum em obras residenciais a contratação de um especialista, por exemplo, um tecnologista de concreto. Uma das únicas especificações para compra é a resistência característica à compressão, nem sequer é mencionada a exigência para o módulo de elasticidade neste momento. A execução também influencia muito. Obras rápidas, sem planejamento e cuidado nessa interface da estrutura com a alvenaria são mais suscetíveis a esse tipo de problema. O momento da fixação da alvenaria é um ponto crítico. A orientação de se realizar a fixação no sentido dos andares superiores para o os inferiores, por exemplo, tem o objetivo de carregar a alvenaria mais lentamente.

Com relação à recomendação de se retardar a fixação, ela advém do intuito de permitir que a estrutura absorva as cargas previstas da edificação, como as alvenarias e os revestimentos dos andares acima. Ao se fazer a fixação da parede, a alvenaria e a estrutura passam a trabalhar em conjunto. Entretanto, este equilíbrio será rompido se houver deformação excessiva da estrutura.

Com foco na racionalização da produção e, por meio do advento de programas computacionais que permitem maiores precisões dimensionais, as estruturas tornaram-se mais esbeltas, grandes vãos passaram a ser privilegiados e houve diminuição do número de pilares. Contudo, com o conhecimento das características e das propriedades dos materiais no último ano, essa situação de estouro de paredes, presente nas publicações de meados de 2005, diminuiu sensivelmente, não sendo mais um problema comum nas obras.

As constatações de ruptura do revestimento e da alvenaria concentram-se, principalmente, em blocos cerâmicos assentados na horizontal e em paredes sob vigas, conforme apontam os estudos sobre encurtamento de pilares apresentados por especialistas do setor. Por meio da observação desse tipo de patologia durante quase 20 anos, constata-se que a ocorrência desse tipo de caso se dá essencialmente em vigas, mesmo de vã os pequenos, provavelmente em virtude desse efeito.

Do ponto de vista da segurança estrutural, a contribuição de alvenaria de vedação é praticamente desprezada, porém ela interage com a estrutura porque tem rigidez e tem que ter certa resistência para ter o comportamento adequado. Esse tema é tão importante que movimentou os principais profissionais do setor. Atualmente, existe um grupo para o estudo da « Interação da estrutura e alvenaria de vedação com bloco cerâmico» formado pela ABECE – Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural e ANICER – Associação Nacional da Industria Cerâmica com o objetivo de publicar uma recomendação técnica para o setor.

Apesar de tudo isso muitos profissionais do mercado ignoram todos esses fatores e atacam apenas um dos sintomas, sintetizando toda solução apenas na substituição do bloco, adotando componentes ainda mais resistentes, como tijolos maciços ou blocos de concreto. Essa ação sem nenhum estudo investigatório, investimento em projeto, procedimentos executivos e especificação de materiais pode até ser um risco, pois ao invés de tratar a causa, está na verdade, mascarando um eventual problema que pode apenas ter sido retardado ou acabar desencadeando outras manifestações patológicas.

Referências: