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Pode assentar azulejo direto no Bloco Cerâmico?

Em obras de alvenaria estrutural (de bloco cerâmico ou de concreto), por questões de regularidade superficial, em relação às estruturas reticuladas de concreto armado com alvenaria de vedação, existe uma tendência de supressão da camada de emboço interno e assentamento direto das placas cerâmicas sobre a base.

Alguns profissionais de maneira empírica acabam preparando a base com pastas de cimento e resinas poliméricas, apenas com a intenção de proporcionar rugosidade aos blocos, por considerar que estes têm alta resistência e menos porosidade, o que justificaria essa ação.

Em geral, a aderência das argamassas colantes ocorre mecanicamente, pela ancoragem da pasta nos poros, reentrâncias e saliências da base, seguida de sua cura progressiva. Essa propriedade depende das características da placa cerâmica, da argamassa colante, das características da base de execução, do projeto e do método executivo.

Apesar de aparentemente os blocos cerâmicos utilizados em edifícios de alvenaria estrutural terem aspecto liso, normalmente os blocos que atendem às normas técnicas têm uma condição adequada para assentamento direto de placas cerâmicas.

A grande questão é que a aderência é uma das propriedades do revestimento cerâmico (entendido como o emboço e o acabamento), e muitas vezes não é a mais solicitada em edifícios. Além da aderência, o revestimento cerâmico tem outras propriedades como: a resistência mecânica; a capacidade de absorver deformações da base; o isolamento térmico, acústico, a estanqueidade e a segurança contra o fogo.

Analogamente ao preparo de base já citado, realizado de maneira empírica, outros profissionais querem resolver o problema apenas alterando a especificação da argamassa colante, utilizando uma de maior aderência, que seria indicada para uso exterior.

Observando as propriedades citadas do revestimento cerâmico, muitas manifestações patológicas que ocorreram no mercado não foram ocasionadas por falha de resistência de aderência à tração e sim por deficiência na capacidade de absorver deformações da base, que era uma das funções do emboço.

Se a aderência for analisada isoladamente, é simples comprovar em um painel teste que a placa cerâmica cola em substrato de blocos cerâmicos, inclusive de alta resistência. Mesmo que a aderência for muito superior ao recomendado por norma, isso não garante a segurança ao desplacamento precoce do acabamento cerâmico.

Quando o emboço é suprimido, o projetista deve tomar ações que compensem essa camada, principalmente no que tange à capacidade de absorver deformações, com o uso de argamassas flexíveis, por exemplo, que estão disponíveis em formato bi componente ou aditivando as argamassas colantes comuns com produtos específicos, como resinas acrílicas. Leia sobre aditivação de argamassas em: https://gped.eng.br/consideracoes-sobre-aditivacao-de-argamassas-colantes-com-resina-acrilica-alexande-britez-2018.pdf.

Nesse caso, os cuidados na execução do revestimento cerâmico são muito mais rigorosos! É indispensável a técnica de dupla camada, respeito ao tempo em aberto no local, mesmo sentido dos cordões e atenção a todas as recomendações dos fabricantes envolvidos.

Da mesma forma, deve ser analisado o prejuízo nos outros requisitos de desempenho, como estanqueidade, isolamento térmico e acústico, entre outros. Esses itens devem ser analisados para qualquer substrato quando a decisão for suprimir o emboço, como blocos ou paredes de concreto.

 

Leia mais em:

BAÍA, L.L.M.; SABBATINI, F.H. Projeto e execução de revestimento de argamassa. 5ª edição. São Paulo: O Nome da Rosa, 2017. (Coleção Primeiros passos da qualidade no canteiro de obras).

BARBOZA, N. Construtoras de todo o Brasil se mobilizam para encontrar saídas para o descolamento cerâmico. Téchne, São Paulo, n. 234, setembro 2016. Disponível em: 

BRITEZ, A.A.; BRITEZ, V.P.G. Considerações sobre aditivação de argamassas colantes com resina acrílica. GP&D – Grupo de Pesquisa & Desenvolvimento Consultoria e Projetos.  São Paulo, 30/01/2019. Disponível em: < https://gped.eng.br/consideracoes-sobre-aditivacao-de-argamassas-colantes-com-resina-acrilica-alexande-britez-2018.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2019.

CAMPANTE, E.F. Projeto e execução de revestimentos cerâmicos. 3ª edição. São Paulo: O Nome da Rosa, 2017. (Coleção Primeiros passos da qualidade no canteiro de obras).

SERNAGLIA, R.G. Discussão sobre a necessidade de chapisco para aplicação de revestimento interno de argamassa sobre alvenaria de bloco concreto e cerâmico. Trabalho de Monografia (Especialização Tecnologia e Gestão da produção de Edifícios). Escola Politécnica da USP (Poli-Integra). São Paulo, 2015.

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A Gresca disponibiliza um departamento de suporte técnico para auxílio nessa tomada de decisão, através de especialistas que podem auxiliar na análise do projeto e discussão dos riscos envolvidos. O bloco cerâmico é uma solução que permite a execução de revestimentos de argamassa sem preparo especial da base (chapisco) e também o assentamento direto de placas cerâmicas, mas depende de um bom projeto, de uma boa execução e do trabalho em conjunto com os outros materiais para o sucesso da sua obra.

 

Autor:

Alexandre Amado Britez é mestre em Engenharia Civil e professor do curso de especialização da USP (Poli Integra) na área de Tecnologia e gestão da produção de Edifícios. Atualmente também é consultor para o mercado em geral da construção civil.